Projeto de lei propõe sanções contra litigância abusiva no sistema judiciário

Projeto de lei propõe sanções contra litigância abusiva no sistema judiciário

Justiça

Uma nova proposta em tramitação na Câmara dos Deputados busca combater o uso estratégico de recursos judiciais para retardar o cumprimento de obrigações legais. O Projeto de Lei 106/26 estabelece diretrizes para identificar e penalizar a chamada litigância abusiva reversa, prática na qual réus utilizam o sistema de justiça para postergar decisões já consolidadas ou ignorar normas vigentes.

Mecanismos de combate ao uso indevido da justiça

A iniciativa propõe alterações diretas no Código de Processo Civil e na Consolidação das Leis do Trabalho. O objetivo é classificar como má-fé processual a interposição sistemática de recursos sem novos fundamentos e o descumprimento reiterado de ordens judiciais. A medida visa proteger o direito das partes que buscam a efetivação de garantias já reconhecidas pelos tribunais.

O texto prevê que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) atue na integração dos sistemas de informação entre as esferas estadual e federal. Essa medida tecnológica é essencial para que o magistrado consiga identificar padrões de comportamento abusivo em um conjunto amplo de processos, evitando que a estratégia de protelação passe despercebida.

Sanções e responsabilidades dos litigantes

Caso o abuso seja comprovado, o juiz terá autorização para elevar o valor de multas e indenizações, levando em conta o impacto acumulado das ações. Além das penalidades financeiras, o projeto permite a adoção de medidas coercitivas e o acionamento do Ministério Público, bem como de órgãos reguladores, para investigar possíveis responsabilidades administrativas ou civis dos envolvidos.

O autor da proposta, deputado Alexandre Guimarães (MDB-TO), argumenta que o excesso de demandas no judiciário é agravado por grandes litigantes que transformam a morosidade do sistema em vantagem econômica. Segundo o parlamentar, o aparelho jurisdicional tem sido utilizado indevidamente como ferramenta de resistência sistemática a comandos normativos.

Tramitação nas comissões

A proposta segue agora para análise em caráter conclusivo nas comissões de Trabalho e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Após passar por essas instâncias, o texto ainda precisará ser apreciado pelo Senado Federal para que possa, eventualmente, tornar-se lei.

Com informações da Câmara dos Deputados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *