Alfredo Gaspar, ex-relator da CPMI do INSS e vice de Flávio Bolsonaro

Quem é Alfredo Gaspar? Conheça o ex-relator da CPMI do INSS e vice de Flávio Bolsonaro

Eleições 2026

Quem é Alfredo Gaspar?

Alfredo Gaspar de Mendonça Neto é deputado federal por Alagoas, advogado e ex-integrante do Ministério Público estadual. Nascido em Maceió em 13 de agosto de 1970, construiu boa parte de sua trajetória profissional na área jurídica e de segurança pública antes de chegar à Câmara dos Deputados. Atualmente, exerce mandato referente ao período de 2023 a 2027 e está filiado ao Partido Liberal (PL).

Para quem busca entender quem é Alfredo Gaspar, sua trajetória passa por cargos importantes em Alagoas. Ele atuou como promotor de Justiça entre 1996 e 2020, presidiu o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (GECOC), foi secretário de Segurança Pública de Alagoas e ocupou o cargo de procurador-geral de Justiça do estado entre 2017 e 2020.

Já na política nacional, Alfredo Gaspar ganhou maior projeção durante os trabalhos da CPMI do INSS, instalada para investigar irregularidades envolvendo descontos em benefícios de aposentados e pensionistas. Em agosto de 2025, ele foi designado relator da comissão, função que o colocou no centro de depoimentos, investigações e da elaboração do relatório final.

A atuação na CPMI aumentou a exposição nacional do deputado. O relatório final elaborado por Gaspar foi levado à votação em março de 2026, mas acabou rejeitado pela comissão por 19 votos a 12.

Em 2026, Alfredo Gaspar deixou o União Brasil e passou a integrar o PL, partido pelo qual aparece atualmente registrado na Câmara dos Deputados. Sua trajetória política ganhou uma nova dimensão com sua entrada na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, tornando seu nome ainda mais presente no debate das Eleições 2026.

Para compreender como Alfredo Gaspar chegou a esse ponto, é preciso voltar à sua longa passagem pelo Ministério Público e pela segurança pública de Alagoas, período que antecedeu sua entrada definitiva na política eleitoral.

Da carreira no Ministério Público à política 

Antes de chegar à política, Alfredo Gaspar construiu uma trajetória de mais de duas décadas ligada ao Direito, ao Ministério Público e à segurança pública em Alagoas. Formado em Direito pelo Centro Universitário Cesmac e pós-graduado em Direito Público, iniciou a carreira como advogado e ingressou no Ministério Público de Alagoas em 1996.

Durante sua passagem pelo Ministério Público, atuou como promotor de Justiça em diferentes comarcas e também em promotorias especializadas na área criminal. Parte importante de sua trajetória esteve ligada ao enfrentamento do crime organizado: Gaspar coordenou o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) e chegou à presidência do Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado (GNCOC).

Alfredo Gaspar também chegou ao comando do Ministério Público estadual, exercendo por duas vezes o cargo de procurador-geral de Justiça de Alagoas. Sua experiência na área de segurança ainda o levou à Secretaria de Segurança Pública do estado, função que ocupou antes de consolidar sua entrada na política eleitoral.

A primeira grande disputa eleitoral de Gaspar aconteceu em 2020, quando concorreu à Prefeitura de Maceió pelo MDB. Ele terminou o primeiro turno na liderança, com 110.234 votos (28,87%), e avançou para o segundo turno contra JHC. Na votação decisiva, porém, JHC venceu com 58,64% dos votos válidos, enquanto Alfredo Gaspar recebeu 41,36%.

Dois anos depois, Gaspar voltou às urnas, desta vez buscando uma cadeira na Câmara dos Deputados. Nas Eleições 2022, recebeu 102.039 votos e foi eleito deputado federal por Alagoas. O mandato teve início em fevereiro de 2023 e segue até 2027.

Na Câmara, sua trajetória continuou bastante relacionada a temas jurídicos e de segurança. Alfredo Gaspar passou por comissões como a de Constituição e Justiça e de Cidadania e a de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, além de outras áreas da atividade parlamentar. Em 2026, passou a integrar o PL.

Essa combinação entre Ministério Público, segurança pública e atuação parlamentar ajuda a explicar como seu nome ganhou espaço no cenário político nacional. A projeção aumentaria ainda mais com a CPMI do INSS, na qual Alfredo Gaspar assumiu uma das funções de maior visibilidade de sua carreira política: a relatoria da comissão.

Alfredo Gaspar na Câmara dos Deputados

A trajetória de Alfredo Gaspar no Congresso Nacional começou após sua eleição para deputado federal por Alagoas. Ele tomou posse em 1º de fevereiro de 2023, iniciando o mandato da legislatura 2023–2027. A ficha oficial da Câmara registra atualmente Alfredo Gaspar de Mendonça Neto como deputado federal pelo PL de Alagoas.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Na Câmara dos Deputados, sua atuação manteve forte ligação com áreas que já faziam parte de sua trajetória profissional, principalmente segurança pública, Justiça e combate ao crime organizado. Ao longo do mandato, Gaspar integrou a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), além de participar de comissões relacionadas a Relações Exteriores, Fiscalização Financeira e outros temas.

O parlamentar também participou de comissões especiais sobre assuntos de grande repercussão nacional, incluindo discussões sobre segurança pública e inteligência artificial. Em 2026, a Câmara registra sua participação na Comissão de Finanças e Tributação e na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, além de sua passagem naquele ano pela CCJC.

A carreira partidária de Alfredo Gaspar também passou por uma mudança importante em 2026, quando deixou o União Brasil e passou a integrar o Partido Liberal (PL). A filiação ao PL aproximou formalmente o deputado do mesmo partido de Flávio Bolsonaro e ocorreu em um momento em que Gaspar já havia ampliado sua projeção nacional com a atuação na CPMI do INSS. A própria Câmara registra o PL como sua atual filiação partidária.

Essa aproximação ganharia ainda mais importância durante a formação das chapas para as Eleições 2026. Alfredo Gaspar passou do mandato de deputado federal e da exposição conquistada nas investigações parlamentares para uma posição de destaque na disputa nacional, ao integrar a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro como candidato a vice-presidente.

A atuação parlamentar, porém, foi especialmente projetada para o restante do país por um episódio específico: a CPMI do INSS. Como relator da comissão, Alfredo Gaspar passou a ocupar o centro de uma investigação que envolveu suspeitas de descontos indevidos sobre benefícios de aposentados e pensionistas, tema que merece um capítulo próprio em sua trajetória.

O papel de Alfredo Gaspar na CPMI do INSS

A atuação de Alfredo Gaspar na CPMI do INSS se tornou um dos capítulos de maior projeção nacional de sua carreira política. A comissão foi instalada pelo Congresso Nacional em agosto de 2025 com a finalidade de investigar fraudes envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A investigação ganhou força após a revelação de um esquema envolvendo cobranças associativas realizadas diretamente sobre benefícios previdenciários. No plano de trabalho apresentado à comissão, foi registrada uma estimativa inicial de R$ 6,3 bilhões relacionada aos descontos irregulares, com base em informações da Controladoria-Geral da União (CGU). A CPMI buscava identificar responsabilidades de agentes públicos e entidades associativas, além de investigar como os mecanismos de controle permitiram que as irregularidades avançassem.

Alfredo Gaspar foi escolhido relator da CPMI do INSS, enquanto o senador Carlos Viana assumiu a presidência da comissão. Como relator, Gaspar passou a exercer uma função central: organizar as principais linhas de investigação, analisar documentos e depoimentos e, ao final dos trabalhos, elaborar o relatório com suas conclusões e recomendações.

O que Alfredo Gaspar investigou na CPMI do INSS

Os trabalhos não ficaram restritos a uma única frente. A comissão solicitou informações ao próprio INSS, à Polícia Federal, à Controladoria-Geral da União, ao Banco Central, ao Ministério Público Federal e a outros órgãos. Entre os documentos buscados estavam auditorias, processos administrativos e dados relacionados aos descontos associativos e empréstimos consignados de aposentados e pensionistas.

Gaspar também participou diretamente dos interrogatórios realizados pela CPMI. Um dos depoimentos de maior repercussão foi o do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, em setembro de 2025. Durante a oitiva, o relator questionou o crescimento dos descontos associativos e o aumento das solicitações de cancelamento feitas por beneficiários. Os registros oficiais do Congresso preservam os questionamentos e as respostas dadas durante a reunião.

Ao longo dos meses seguintes, a investigação avançou sobre diferentes personagens e possíveis núcleos do esquema. Foram analisadas relações entre entidades associativas, intermediários, servidores e agentes públicos, além do caminho percorrido pelo dinheiro. A CPMI também passou a investigar irregularidades relacionadas a crédito consignado, frente que o próprio relator afirmou poder envolver valores ainda maiores do que os descontos associativos.

A posição de relator colocou Alfredo Gaspar no centro das principais audiências e confrontos da comissão. Seu nome passou a aparecer com frequência no noticiário nacional durante depoimentos, requerimentos e questionamentos a investigados e autoridades.

A CPMI do INSS permaneceu em funcionamento por cerca de sete meses e encerrou seus trabalhos em março de 2026. Ao final, coube justamente a Alfredo Gaspar apresentar o relatório que reuniu as conclusões de sua investigação, documento que propôs 216 indiciamentos, mas acabou rejeitado pela maioria da comissão.

Esse desfecho, e principalmente o conteúdo do relatório apresentado pelo então relator, merece ser analisado separadamente para entender o alcance das conclusões da CPMI e o que aconteceu depois da votação.

O relatório da CPMI e os pedidos de indiciamento

O trabalho de Alfredo Gaspar na CPMI do INSS culminou na apresentação de um relatório de grandes proporções. O documento final elaborado pelo relator chegou a 4.340 páginas e propôs o indiciamento de 216 pessoas, após sete meses de funcionamento da comissão.

Nas conclusões apresentadas por Gaspar, as irregularidades investigadas não teriam resultado da atuação de um único grupo. O relatório apontou a existência de diferentes núcleos, técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político — que, segundo o parecer, estariam relacionados à movimentação de recursos provenientes de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões.

Quem apareceu nos pedidos de indiciamento

A lista apresentada pelo então relator da CPMI do INSS alcançou diferentes setores. Entre os nomes estavam ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, representantes de entidades associativas, empresários, parlamentares e ex-ministros. O documento atribuiu aos investigados, conforme cada caso, suspeitas relacionadas a 23 tipos diferentes de crimes, entre eles lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa.

Entre os pedidos que tiveram maior repercussão estava o de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O relatório relacionou seu nome a suspeitas envolvendo Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, e propôs seu indiciamento por crimes como tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens e valores, organização criminosa e participação em corrupção ativa.

Também apareceram entre os pedidos de indiciamento o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; os ex-ministros da Previdência Carlos Lupi e José Carlos Oliveira; o senador Weverton Rocha; além de parlamentares e outros personagens investigados durante os trabalhos da comissão.

É importante destacar, porém, que um pedido de indiciamento feito em relatório de CPMI não representa uma condenação judicial. O documento expressava as conclusões do relator a partir dos elementos reunidos durante a investigação parlamentar. A responsabilização criminal depende da atuação dos órgãos competentes e, quando houver processo, das decisões do Poder Judiciário.

Por que o relatório de Alfredo Gaspar não foi aprovado?

Apesar da dimensão do documento e dos 216 pedidos de indiciamento, o relatório de Alfredo Gaspar não recebeu apoio suficiente dentro da própria CPMI. Na madrugada de 28 de março de 2026, depois de uma longa reunião destinada à leitura e votação do parecer, o texto foi rejeitado por 19 votos a 12.

Parlamentares da base governista haviam apresentado um relatório alternativo, que trazia conclusões diferentes e incluía outros nomes. Entretanto, depois da rejeição do parecer de Gaspar, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, encerrou os trabalhos sem colocar o relatório alternativo em votação.

Com isso, a CPMI do INSS terminou sem um relatório final oficialmente aprovado pela comissão. Esse detalhe é fundamental: embora o documento elaborado por Alfredo Gaspar exista e reúna as conclusões de sua relatoria, ele não se tornou o relatório final aprovado da CPMI.

A rejeição, contudo, não fez o material produzido durante os sete meses de investigação simplesmente desaparecer. Após a votação, Carlos Viana afirmou que cópias do relatório rejeitado seriam encaminhadas a diferentes instituições, permitindo que os elementos reunidos durante os trabalhos pudessem ser analisados pelos órgãos competentes.

Mesmo sem a aprovação do parecer, a relatoria consolidou a CPMI do INSS como um dos principais momentos de exposição nacional de Alfredo Gaspar. Meses depois, essa projeção política passaria a se conectar diretamente com outro movimento importante de sua trajetória: sua entrada no PL e a aproximação com Flávio Bolsonaro.

A ida de Alfredo Gaspar para o PL

A filiação de Alfredo Gaspar ao Partido Liberal (PL) marcou uma nova etapa de sua trajetória política e aproximou o deputado do grupo que passou a organizar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro nas Eleições 2026. Atualmente, a própria Câmara dos Deputados registra Gaspar como parlamentar do PL por Alagoas.

Gaspar havia sido eleito deputado federal em 2022 pelo União Brasil e permaneceu na legenda durante a maior parte de seu primeiro mandato. Nesse período, chegou a ocupar funções partidárias na Câmara, como a de vice-líder do União Brasil e, posteriormente, da oposição. A mudança partidária ocorreu em 2026, quando deixou o União Brasil e ingressou no PL.

A transferência aconteceu depois de Alfredo Gaspar conquistar maior projeção nacional como relator da CPMI do INSS. Sua atuação na comissão, especialmente nos depoimentos e na elaboração do relatório que propôs uma série de indiciamentos, ampliou sua exposição para além de Alagoas e fortaleceu sua presença no debate político nacional.

Aproximação com Flávio Bolsonaro

A entrada no PL também colocou Alfredo Gaspar no mesmo partido de Flávio Bolsonaro e abriu caminho para uma aproximação política que ganharia importância durante a montagem da chapa presidencial.

Com a candidatura de Flávio à Presidência avançando, Gaspar passou a ser considerado para uma posição de destaque na disputa nacional. Sua trajetória no Ministério Público, a atuação ligada à segurança pública e, principalmente, a visibilidade conquistada durante a CPMI do INSS passaram a integrar o perfil político apresentado pela chapa.

Essa aproximação acabou resultando em uma mudança significativa para a carreira de Alfredo Gaspar. Em vez de buscar a reeleição para deputado federal em 2026, ele passou a disputar a Vice-Presidência da República. Dados atuais sobre os registros eleitorais já o apontam como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, enquanto a Câmara continua registrando seu mandato parlamentar até 2027.

A escolha também conectou diretamente dois temas que deram grande exposição a Gaspar: a CPMI do INSS e as Eleições 2026. O escândalo envolvendo descontos indevidos em aposentadorias passou inclusive a aparecer no debate eleitoral e no plano apresentado pela candidatura de Flávio Bolsonaro.

Com isso, Alfredo Gaspar deixou de ser apenas um deputado com projeção nacional conquistada durante uma comissão parlamentar e passou a integrar formalmente uma chapa presidencial. O passo seguinte é justamente entender como seu nome chegou à posição de vice de Flávio Bolsonaro e qual foi o papel das articulações políticas nessa escolha.

Como Alfredo Gaspar se tornou vice de Flávio Bolsonaro

A escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro foi confirmada em 5 de agosto de 2026, durante a montagem da chapa para a disputa pela Presidência da República. Com os dois políticos filiados ao PL, a candidatura passou a formar uma chapa “puro-sangue”, expressão utilizada quando os candidatos a presidente e vice pertencem ao mesmo partido.

Antes da definição de Gaspar, a composição da vice havia sido alvo de diferentes articulações. Flávio Bolsonaro buscava ampliar suas alianças partidárias e chegou a avaliar nomes de outras legendas. Entre as possibilidades discutidas estavam a senadora Tereza Cristina e Daniella Marques, mas as negociações não avançaram, enquanto partidos importantes do campo de centro-direita optaram por não integrar a chapa presidencial naquele momento.

Foi nesse cenário que o nome de Alfredo Gaspar ganhou força. Além de já estar no PL, o deputado reunia uma trajetória ligada ao Ministério Público e à segurança pública e havia conquistado projeção nacional como relator da CPMI do INSS. Sua atuação durante a investigação sobre descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas ampliou significativamente sua exposição fora de Alagoas.

A escolha também acrescentou à chapa um político do Nordeste. Gaspar nasceu em Maceió, representa Alagoas na Câmara dos Deputados desde 2023 e, em 2026, passou a integrar o PL. A composição reúne, portanto, Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, e Alfredo Gaspar, deputado federal alagoano.

Alfredo Gaspar é oficialmente o vice de Flávio Bolsonaro?

Alfredo Gaspar é o candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro nas Eleições 2026. O registro da candidatura presidencial apresentado ao TSE identifica Gaspar como o integrante da chapa para a Vice-Presidência.

A definição representou uma mudança significativa na trajetória política do deputado. Depois de construir carreira no Ministério Público, atuar na segurança pública de Alagoas, chegar à Câmara e ganhar projeção com a CPMI do INSS, Alfredo Gaspar passou a disputar pela primeira vez um cargo de alcance nacional.

Com o início oficial da campanha eleitoral em 16 de agosto, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar passaram da fase de articulação e registro para a campanha presidencial propriamente dita. Gaspar já apareceu publicamente como vice da chapa nos primeiros atos da campanha.

A presença de Alfredo Gaspar na chapa também torna importante compreender o que efetivamente faz um vice-presidente. Embora o cargo apareça frequentemente associado à composição política e eleitoral de uma candidatura, a Constituição estabelece funções específicas para quem ocupa a Vice-Presidência — assunto que veremos a seguir.

Qual é o papel do vice-presidente?

A escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro também levanta uma questão importante para as Eleições 2026: afinal, qual é o papel do vice-presidente da República? Embora o nome do vice ganhe bastante atenção durante a formação das chapas, suas atribuições não se limitam à estratégia eleitoral.

A principal função está prevista diretamente no artigo 79 da Constituição Federal. O vice-presidente substitui o presidente em situações de impedimento e assume definitivamente a Presidência quando ocorre a vacância do cargo.

Na prática, existe uma diferença importante entre substituir e suceder. A substituição ocorre de maneira temporária, quando o presidente está impossibilitado de exercer suas funções. Já a sucessão ocorre quando o cargo de presidente fica definitivamente vago; nesse caso, o vice assume a Presidência.

O vice também pode exercer outras funções

A Constituição estabelece ainda que o vice-presidente pode auxiliar o presidente quando for convocado para missões especiais, além de exercer outras atribuições que eventualmente sejam estabelecidas por lei complementar. Portanto, a participação de um vice em determinado governo pode ir além das situações de substituição ou sucessão.

Isso ajuda a separar duas dimensões do cargo. Durante uma campanha, a escolha do vice possui forte componente político e eleitoral, envolvendo composição partidária, alianças e características que a candidatura pretende agregar à chapa. Depois da eleição, porém, o vice passa a ocupar uma posição constitucional própria e é o primeiro na linha para assumir a Presidência em caso de impedimento ou vacância do titular.

No caso das Eleições 2026, portanto, Alfredo Gaspar não aparece apenas como um nome associado à campanha de Flávio Bolsonaro. Como candidato a vice-presidente, ele disputa um cargo com atribuições estabelecidas pela Constituição e que pode, em determinadas circunstâncias, levá-lo ao exercício da própria Presidência da República.

Alfredo Gaspar nas Eleições 2026

A entrada de Alfredo Gaspar nas Eleições 2026 como candidato a vice-presidente representa uma mudança importante em sua trajetória política. Depois de construir carreira no Ministério Público, passar pela segurança pública de Alagoas e chegar à Câmara dos Deputados, Gaspar passou a disputar pela primeira vez um cargo de alcance nacional ao lado de Flávio Bolsonaro.

Alfredo Gaspar ao lado de Flávio Bolsonaro durante a campanha das Eleições 2026
(Photo by MAURO PIMENTEL / AFP) – (crédito: AFP)

A nova posição também muda sua participação no processo eleitoral. Como integrante da chapa presidencial do PL, Alfredo Gaspar passa a participar diretamente da campanha, de atos públicos e da apresentação das propostas defendidas pela candidatura. No primeiro evento oficial da campanha de Flávio Bolsonaro, realizado em 16 de agosto, em Copacabana, no Rio de Janeiro, Gaspar discursou ao lado do candidato à Presidência.

Segurança pública e CPMI do INSS ganham espaço na campanha

A trajetória profissional e parlamentar de Alfredo Gaspar também ajuda a compreender o papel que ele pode desempenhar na chapa. Sua passagem pelo Ministério Público e pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas está relacionada a uma das principais bandeiras exploradas pela candidatura: o combate ao crime e à violência.

Outro elemento é sua atuação como relator da CPMI do INSS. A investigação ampliou sua projeção nacional e colocou seu nome diretamente no debate sobre os descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. O tema passou a aparecer também na campanha e no plano de governo de Flávio Bolsonaro para as Eleições 2026. 

A escolha de Gaspar foi interpretada nos bastidores políticos também como uma forma de reforçar na chapa as pautas de segurança pública e combate à corrupção. Antes de ser escolhido para a Vice-Presidência, o deputado sequer figurava entre os nomes mais citados publicamente para a vaga e chegou a preparar uma candidatura ao Senado por Alagoas.

Com a campanha oficialmente iniciada, a atuação de Alfredo Gaspar passa a ser observada em um cenário muito diferente daquele encontrado durante seu mandato na Câmara ou na CPMI. Agora, suas declarações, propostas e participação nos atos eleitorais fazem parte de uma disputa pela Presidência da República.

Isso não permite antecipar qual será o peso eleitoral de sua presença na chapa. O que já é possível afirmar é que a escolha como vice de Flávio Bolsonaro colocou Alfredo Gaspar em uma posição de projeção nacional inédita em sua carreira e conectou definitivamente sua trajetória às Eleições 2026.

Conclusão: quem é Alfredo Gaspar e por que seu nome ganhou projeção nacional?

Entender quem é Alfredo Gaspar exige olhar para uma trajetória que começou muito antes de sua chegada ao Congresso Nacional. Advogado de formação, ele passou mais de duas décadas pelo Ministério Público de Alagoas, onde atuou como promotor de Justiça e chegou ao cargo de procurador-geral de Justiça. Também comandou por duas vezes a Secretaria de Segurança Pública do estado antes de ingressar definitivamente na política eleitoral. A Câmara registra ainda sua atuação no combate ao crime organizado e seu mandato como deputado federal iniciado em 2023.

Foi no Congresso, porém, que Alfredo Gaspar alcançou uma projeção nacional muito maior. Sua escolha para a relatoria da CPMI do INSS colocou o deputado no centro das investigações sobre descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Os meses de depoimentos, questionamentos e investigações deram ao parlamentar uma exposição que ultrapassou as fronteiras de Alagoas e tornou seu nome conhecido nacionalmente.

Em 2026, sua trajetória política entrou em uma nova fase. Gaspar deixou o União Brasil e passou a integrar o PL, filiação que atualmente consta em sua ficha oficial na Câmara dos Deputados.

Pouco tempo depois, veio a maior mudança de sua carreira eleitoral até aqui: Alfredo Gaspar foi escolhido para integrar como vice de Flávio Bolsonaro a chapa do PL na disputa pela Presidência da República. A composição foi posteriormente registrada para as Eleições 2026, levando o deputado alagoano pela primeira vez a uma candidatura de alcance nacional.

A campanha presidencial acrescenta, portanto, um novo capítulo a uma trajetória marcada pela passagem pelo Ministério Público, pela segurança pública, pela Câmara dos Deputados e pela CPMI do INSS. Aos 56 anos, completados em 13 de agosto de 2026, Alfredo Gaspar chega às Eleições 2026 ocupando uma posição muito diferente daquela em que iniciou seu mandato federal pouco mais de três anos antes.

Se antes seu nome estava principalmente associado à política alagoana e à atuação parlamentar, agora ele integra diretamente uma disputa pela Presidência da República. E é justamente essa combinação entre sua trajetória jurídica, a exposição conquistada na CPMI e a escolha como vice de Flávio Bolsonaro que ajuda a explicar por que Alfredo Gaspar passou a ocupar um espaço de maior destaque no cenário político nacional em 2026.

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