Durante um ato de campanha realizado no último sábado, dia 22, no estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou como uma de suas principais propostas para um eventual quarto mandato o enfrentamento direto às facções criminosas que atuam em territórios fluminenses. O petista, que busca a reeleição para o período de 2027 a 2030, enfatizou que a estratégia de segurança pública será pautada pela prisão dos envolvidos, descartando ações que classificou como “pirotecnia” ou “carnaval”.
Estratégia federal para a segurança pública
A proposta de atuação do governo federal está alinhada à PEC da Segurança Pública, texto que já recebeu o aval da Câmara dos Deputados e atualmente tramita no Senado. A medida visa ampliar a responsabilidade da União na gestão da segurança, um setor historicamente concentrado nas esferas estaduais. Além do foco no combate ao crime organizado, o presidente sinalizou a intenção de recriar o Ministério da Segurança Pública e fortalecer o aparato operacional da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
O tema da segurança tornou-se um dos pilares centrais da disputa eleitoral de 2026. A pressão internacional também tem influenciado o debate, especialmente após a classificação de grupos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que figura como um dos principais opositores de Lula na corrida presidencial, também tem adotado o combate ao crime organizado como um dos eixos prioritários de sua plataforma.
Cenário de vulnerabilidade social
A urgência do tema é reforçada por dados estatísticos que revelam a dimensão da presença do crime no cotidiano da população. Segundo levantamento realizado pelo instituto Datafolha em 2025, aproximadamente 19% dos brasileiros relataram residir em áreas sob influência de milícias ou facções criminosas. Esse número representa um crescimento de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior, quando o índice era de 14%, o que equivale a cerca de 28,5 milhões de pessoas vivendo em regiões de risco.
Plataforma de governo e investimentos
Além das medidas voltadas para a segurança, o discurso de Lula no Rio de Janeiro abrangeu outras áreas estratégicas. O candidato defendeu a expansão do modelo de escolas em tempo integral e a criação de novos institutos federais. Na área de soberania e tecnologia, o presidente prometeu elevar os investimentos destinados à indústria de Defesa nacional, buscando integrar o desenvolvimento econômico com a proteção das fronteiras e a segurança interna.
O cenário para os próximos meses aponta para uma intensificação dos debates sobre o papel do governo federal na contenção da violência urbana. Com a tramitação da PEC da Segurança Pública no Senado prevista para o mês de agosto, a pauta deve continuar a dominar o noticiário político e as discussões entre os candidatos ao Palácio do Planalto.
Com informações da Revista Oeste.