Uma análise técnica realizada pela Polícia Federal (PF) trouxe novos elementos sobre as investigações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. O documento, que teve seu sigilo levantado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, no dia 11 de outubro, aponta indícios de irregularidades em transações financeiras que, segundo a corporação, teriam atingido o montante de R$ 17 bilhões.
Detalhes da investigação e o papel da diretoria
O relatório pericial destaca a atuação de seis integrantes da diretoria do BRB à época das operações. De acordo com os investigadores, esses executivos teriam participado das decisões que envolveram títulos do Banco Master, sob gestão de Daniel Vorcaro. A PF sustenta que o processo foi permeado por uma produção massiva de documentos falsos, além de apontar falhas administrativas e o que classificou como gestão temerária.
Os nomes citados no documento como participantes das decisões são: Paulo Henrique Costa, presidente da instituição; Cristiane Maria Lima Bukowitz, diretora de Gestão de Pessoas; Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor de Finanças e Controladoria; Luana de Andrade Ribeiro, diretora de Controle e Riscos; Diogo Ilário de Araújo Oliveira, diretor de Atacado e Governo; e José Maria Correa Dias Junior, diretor de Tecnologia.
Mecanismos de controle e a análise técnica
A perícia ressalta que o cenário identificado não se trata de um risco de mercado comum ou insucesso econômico isolado. O documento descreve a utilização recorrente de métodos destinados a contornar ou neutralizar mecanismos de controle interno. O objetivo seria manter uma aparência de regularidade formal que, na prática, divergia da substância econômica das operações.
Um ponto relevante levantado pela PF é que, entre 2024 e 2025, foram aprovadas pelo menos 25 operações com o Banco Master. Deste total, 21 transações foram mantidas abaixo do limite de R$ 750 milhões, o que, segundo as normas internas, dispensava a necessidade de submissão ao Conselho de Administração do banco. O único diretor jurídico da instituição que não teve responsabilidade técnica apontada pela perícia foi Jacques Mauricio Ferreira Veloso.
Posicionamento oficial do Banco de Brasília
Em nota enviada à imprensa, o BRB declarou que a abertura dos autos é uma oportunidade para esclarecer os fatos, reforçando que a instituição foi vítima de atos criminosos. A atual administração destacou que promoveu a renovação integral de sua diretoria executiva e implementou um rigoroso fortalecimento nos controles de governança.
O banco informou ainda que contratou o escritório Machado e Meyer, com suporte técnico da Kroll, para conduzir uma auditoria forense independente. Os resultados desse trabalho foram compartilhados com órgãos de fiscalização, incluindo o Banco Central, o Ministério Público Federal e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A instituição reitera que está colaborando com as autoridades para o ressarcimento de eventuais prejuízos e a proteção de seu patrimônio.