O presidente da República abordou, em entrevista concedida à emissora Record neste domingo, 23, o andamento das apurações que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Durante a conversa, o chefe do Executivo enfatizou que não pretende interferir no trabalho das autoridades e defendeu a necessidade de transparência nos processos conduzidos pela Polícia Federal.
Posicionamento sobre a autonomia das investigações
Ao ser questionado sobre o tema, o presidente declarou que não existe qualquer tipo de proteção especial para familiares em sua gestão. Segundo ele, a orientação dada ao filho é de que colabore com as autoridades e apresente sua versão dos fatos aos investigadores. O mandatário reforçou que, caso sejam comprovadas irregularidades, as consequências legais devem ser aplicadas de forma imparcial.
“Meu filho sabe: se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado”, afirmou o presidente. Ele acrescentou que, independentemente de quem seja o investigado, a lei deve ser aplicada de forma igualitária, ressaltando que o ônus de provar a inocência cabe ao próprio acusado no curso do processo.
Relação com o trabalho da Polícia Federal
O presidente aproveitou a oportunidade para rebater críticas sobre uma suposta interferência política na estrutura de segurança e fiscalização do governo. Ele negou que pressione por demissões de ministros ou punições a delegados que conduzem casos sensíveis ou de alta complexidade.
“Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se”, pontuou. O petista também destacou que, caso peritos identifiquem prejuízos aos cofres públicos decorrentes de eventuais esquemas, o ressarcimento ao erário deve ser uma medida prioritária.
Contexto das apurações em curso
As investigações que miram Lulinha estão sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF). O foco das autoridades está na apuração de possíveis episódios de tráfico de influência que teriam facilitado o acesso a órgãos como o Ministério da Saúde e a Dataprev. Além disso, a Polícia Federal investiga a proximidade de Lulinha com Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência.
Elementos colhidos pela PF, incluindo diálogos datados de março de 2024, indicam tratativas de negócios envolvendo a lobista Roberta Luchsinger. Nas mensagens interceptadas, há menções a planos de expansão financeira e consultoria, pontos que agora compõem o conjunto probatório analisado pelos investigadores para determinar se houve ilegalidades na atuação da dupla junto à administração pública.
Com informações da Revista Oeste.