Mensagens da PF apontam menção a suposta pressão de Moraes sobre Paulo Gonet

Mensagens da PF apontam menção a suposta pressão de Moraes sobre Paulo Gonet

Justiça

Relatórios produzidos pela Polícia Federal trouxeram à tona diálogos que sugerem uma suposta articulação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. As informações constam em registros de comunicações interceptadas que envolvem o empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.

O teor das comunicações sob investigação

Em uma troca de mensagens datada de 19 de março de 2025, Vorcaro escreveu para Paulo Sérgio Neves de Souza, então diretor de fiscalização do Banco Central. No texto, o empresário mencionou que o ministro Alexandre de Moraes chamaria um interlocutor identificado apenas como “Paulo” para “dar um aperto”. A interpretação dos investigadores da PF é de que a referência seria direcionada ao chefe da Procuradoria-Geral da República.

Naquele período, Vorcaro estava em meio a uma negociação para vender 58% das ações do Banco Master ao Banco Regional de Brasília. O processo enfrentava escrutínio por parte do Ministério Público Federal, órgão que, à época, era comandado por Gonet.

Relação entre o empresário e o procurador-geral

Os documentos da investigação detalham que, apesar da menção a pressões, existia um canal de proximidade entre o empresário e o procurador-geral. Registros do dia 15 de março de 2025 indicam que Gonet buscou contato com Vorcaro por intermédio do advogado Ciro Soares. Na ocasião, foi compartilhada uma imagem descontraída de ambos em um ambiente externo.

Posteriormente, o advogado encaminhou ao banqueiro mensagens que seriam de autoria de Gonet. Em uma delas, enviada em 28 de março de 2025, o procurador teria afirmado sentir saudades. No dia seguinte, o advogado repassou outra mensagem atribuída ao chefe da PGR, na qual ele teria classificado Vorcaro como uma “máquina”.

Interesses e tentativas de influência

As trocas de mensagens também revelam menções a viagens internacionais, incluindo um encontro em Londres que contaria com a presença de Vorcaro, Soares e Gonet. Em um dos diálogos, o procurador teria expressado entusiasmo com a possibilidade de consumo de charutos e uísque da marca Macallan, ao que o empresário respondeu com planos sobre o fornecimento dos itens.

Ao longo do ano de 2025, Vorcaro buscou ativamente contatos com autoridades para tentar conter o avanço de investigações. O empresário tentou interceder junto a Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com o objetivo de frear a atuação de delegados e procuradores em instâncias inferiores.

Desdobramentos do caso

O foco principal das solicitações de Vorcaro era evitar que o prosseguimento das apurações levasse à falência do Banco Master. O executivo chegou a solicitar o adiamento de operações policiais que estavam previstas para ocorrer pouco antes de sua prisão, em novembro de 2025. As investigações seguem em curso para apurar a extensão dessas tentativas de influência nas esferas de poder, conforme reportado pela Polícia Federal.

Com informações da Revista Oeste.

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