O setor imobiliário chinês enfrenta um cenário de estagnação prolongada, com indicadores que confirmam a fragilidade da segunda maior economia do mundo. Dados recentes do Escritório Nacional de Estatísticas revelam que os preços dos imóveis nas 70 principais cidades do país registraram queda pelo sexto mês consecutivo, evidenciando a dificuldade do mercado em encontrar um ponto de equilíbrio.
Retração nos preços e atividade do setor
Em julho, o valor dos imóveis nas 70 maiores cidades chinesas apresentou um recuo de 0,18%, intensificando a desvalorização observada em junho, que foi de 0,15%. O levantamento aponta que 47 dessas cidades registraram quedas mensais, enquanto, na comparação anual, 66 localidades enfrentaram desvalorização nos preços, mantendo um cenário de baixa que persiste há meses.
Além da desvalorização dos ativos, a atividade produtiva no setor imobiliário mostra sinais claros de retração. O investimento acumulado no segmento entre janeiro e julho deste ano despencou 19,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O ritmo de novas construções também sofreu um impacto severo, com uma queda de 24% no mesmo intervalo, superando o recuo de 23,4% registrado no primeiro semestre.
Impactos na economia chinesa
O mercado imobiliário é tradicionalmente um dos pilares de sustentação da economia da China. A persistência da crise afeta diretamente o consumo das famílias, uma vez que a queda nos preços dos imóveis reduz o patrimônio percebido pelos cidadãos, inibindo gastos e investimentos. Esse movimento cria um efeito cascata que dificulta a recuperação econômica do país.
O governo chinês tem buscado reverter esse quadro por meio de intervenções pontuais, como a flexibilização de restrições para a compra de propriedades e a redução das taxas de juros. Até o momento, contudo, os efeitos dessas medidas têm se mostrado limitados, sem conseguir reverter a tendência de baixa que domina o setor há anos.
Desempenho das vendas e perspectivas
O volume de vendas de imóveis, medido em valor, também reflete a crise, com uma queda de 13,2% no acumulado de janeiro a julho. Embora esse número represente uma desaceleração marginal frente à queda de 13,7% observada entre janeiro e junho, o cenário permanece desafiador. A falta de dinamismo no setor imobiliário continua sendo um dos principais obstáculos para o crescimento sustentável da China no curto e médio prazo.
Fonte: revistaoeste.com