Governo Trump libera 300 mil toneladas de carne importada para baixar preços nos EUA

Governo Trump libera 300 mil toneladas de carne importada para baixar preços nos EUA

Mundo

O governo dos Estados Unidos anunciou uma medida emergencial para tentar frear a alta nos preços da carne bovina no mercado interno. A partir de 1º de setembro de 2026, o presidente Donald Trump autorizou a entrada de 300 mil toneladas adicionais de cortes magros de carne bovina com tarifas reduzidas. A decisão, oficializada em 26 de agosto, terá validade de 90 dias.

Estratégia para aliviar o custo ao consumidor

A medida visa aumentar a oferta de matéria-prima, especialmente para a produção de carne moída, item que tem pesado no orçamento das famílias norte-americanas. Segundo o governo, o volume autorizado será distribuído em três parcelas mensais de 100 mil toneladas. Para garantir o efeito pretendido, a Casa Branca estabeleceu que os produtos importados sob essa cota devem ser comercializados com um desconto de 25% em relação aos valores de mercado vigentes.

Caso o monitoramento oficial identifique que o desconto não está sendo aplicado, o governo reserva-se o direito de interromper a concessão das parcelas restantes. Esta ação complementa uma iniciativa anterior, realizada em fevereiro, que já havia ampliado em 80 mil toneladas a cota de importação de carne argentina. Agora, a nova autorização estende a possibilidade de compra para outros países ou áreas elegíveis.

Conflito com o setor pecuário

A decisão gerou forte resistência entre os produtores rurais. Entidades como a American Farm Bureau Federation, a National Cattlemen’s Beef Association, a Livestock Marketing Association e a United States Cattlemen’s Association manifestaram preocupação com o impacto da medida na economia local. Em carta enviada ao governo, as organizações argumentam que a entrada massiva de carne estrangeira pode desestimular a recomposição dos rebanhos nacionais.

O setor pecuário enfrenta um momento delicado, com o rebanho bovino norte-americano atingindo o menor nível em 75 anos. Os produtores apontam que o período entre setembro e novembro, quando a cota estará em vigor, coincide com a principal janela de venda de bezerros. O receio é que a maior oferta externa pressione os preços pagos aos criadores, reduzindo a rentabilidade necessária para os investimentos de longo prazo na atividade.

Contexto de crise na produção

A escassez de animais para abate nos Estados Unidos é resultado de uma combinação de fatores climáticos e operacionais. Secas severas, incêndios frequentes e custos elevados de produção têm limitado a capacidade de expansão do setor. Além disso, restrições sanitárias impostas anteriormente à entrada de gado mexicano, devido ao risco de disseminação da mosca-do-berne, agravaram o cenário de oferta restrita.

O Departamento de Agricultura dos EUA projeta uma queda de cerca de 4% na produção nacional de carne bovina em 2026, na comparação com o ano anterior. Enquanto o governo busca um equilíbrio entre o alívio imediato para o consumidor e a sustentabilidade da pecuária doméstica, o sucesso da medida dependerá da rapidez com que os criadores conseguirão superar os desafios estruturais para recompor seus rebanhos.

Com informações da Revista Oeste.

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