Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia na segunda-feira, 10 de agosto de 2026, resultando em uma tragédia humanitária e estrutural de grandes proporções. Segundo o balanço mais recente divulgado pela Associação Colombiana de Cidades Capitais (Asocapitales), o tremor causou a morte de pelo menos 132 pessoas e deixou outras 570 feridas. O fenômeno, considerado o mais forte registrado no país na última década, mobilizou equipes de resgate em uma corrida contra o tempo para localizar sobreviventes sob os escombros.
O epicentro do sismo foi localizado próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, a uma profundidade de 107 quilômetros. O impacto foi sentido em diversas regiões, provocando o colapso de 86 edifícios e afetando diretamente 1.575 moradias. Diante da gravidade da situação, o presidente Abelardo de la Espriella declarou estado de desastre nacional e calamidade pública, visando acelerar a liberação de recursos emergenciais para as áreas atingidas.
Vítimas e buscas incessantes sob os escombros
As operações de socorro concentram-se nas cidades mais afetadas, onde o cenário é de devastação. Em Pereira, localizada na importante região cafeeira, o prefeito Mauricio Salazar confirmou a morte de 18 pessoas. A cidade, que possui cerca de 500 mil habitantes, registrou cenas de pânico enquanto equipes de emergência trabalhavam para retirar moradores presos em estruturas que não resistiram à força do tremor.
No departamento de Valle del Cauca, a situação é ainda mais crítica, com 27 mortes confirmadas, a maioria na capital Cali. Outros registros fatais ocorreram em Chocó (9 mortes), Manizales (2 mortes) e Buenaventura (1 morte), onde um prédio desabou no litoral do Pacífico. O sistema Pager, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), chegou a projetar que o número total de vítimas fatais poderia chegar a mil, embora os dados oficiais ainda estejam sendo atualizados conforme o acesso a áreas isoladas é restabelecido.
Epicentro em Chocó e colapso da infraestrutura de transportes
A localização do epicentro em Chocó, uma das regiões mais pobres e de difícil acesso da Colômbia, dificultou a comunicação e a avaliação inicial dos danos. Além das residências, a infraestrutura pública sofreu danos severos: 18 unidades de saúde, 52 centros educacionais e 17 centros comunitários foram danificados. A Asocapitales informou que pelo menos 37 casas foram completamente destruídas pela força do abalo sísmico.
O setor de transportes também foi duramente atingido, com sete aeroportos apresentando problemas estruturais. Terminais em Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura passaram por inspeções rigorosas de segurança. No Aeroporto Matecaña, em Pereira, parte da cobertura se desprendeu. Em Medellín, o sistema de metrô e os metrocabos foram suspensos temporariamente para garantir a integridade das estruturas antes da retomada das operações.
Estado de desastre nacional e apoio da comunidade internacional
O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo poucos dias antes do desastre, enfatizou o compromisso do governo em não desamparar os cidadãos. A declaração de estado de desastre nacional permite que o Executivo flexibilize procedimentos burocráticos para a compra de suprimentos e contratação de serviços emergenciais. O Exército Nacional ativou redes de rádio para auxiliar na localização de vítimas em zonas rurais e de difícil comunicação.
A solidariedade internacional manifestou-se rapidamente. Os Estados Unidos anunciaram o envio de US$ 15,5 milhões em ajuda emergencial para abrigos e alimentação. Países como Equador, México e Venezuela também ofereceram suporte técnico e humano. O governo brasileiro, através do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressou solidariedade e colocou o país à disposição para auxiliar os colombianos no processo de recuperação.
Pressão fiscal e o histórico de grandes tremores no país
A reconstrução das áreas afetadas ocorre em um momento econômico desafiador para a Colômbia. O país encerrou o ano de 2025 com um déficit fiscal de 6,4% do PIB, e as novas despesas emergenciais devem elevar esse índice para entre 7% e 8% em 2026. Estimativas preliminares indicam que as perdas econômicas totais podem variar entre US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão, afetando setores vitais como a agricultura cafeeira e a logística regional.
Historicamente, a Colômbia é vulnerável a sismos devido à sua posição geográfica sobre três cadeias montanhosas dos Andes. Eventos anteriores, como o terremoto de 1999 em Armênia e Pereira, que vitimou mais de mil pessoas, e a tragédia de Armero em 1985, com 25 mil mortos, reforçam a necessidade constante de protocolos de segurança e infraestrutura resiliente em um dos países com maior atividade sísmica da América do Sul.
Com informações da Revista Oeste.