A diplomata guianense Carolyn Rodrigues-Birkett desponta como a principal candidata na sucessão ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Após liderar as duas primeiras rodadas de consultas informais realizadas em agosto, seu nome ganhou destaque no cenário internacional, acompanhado por um levantamento de posicionamentos políticos que têm gerado debates sobre sua futura atuação à frente do organismo multilateral.
Posicionamentos sobre o conflito no Oriente Médio
Durante sua atuação no Conselho de Segurança da ONU, Rodrigues-Birkett manifestou críticas contundentes à postura de Israel. Em pronunciamentos registrados em setembro de 2024, a diplomata utilizou o termo “genocídio” ao se referir às ações israelenses contra a população palestina. Em suas falas, ela argumentou que o conflito não teve início em 7 de outubro de 2023, sustentando que, desde 1948, o Estado de Israel teria adotado uma postura de rejeição violenta à solução de dois Estados.
Além das declarações sobre o conflito, a candidata descreveu a política externa israelense como portadora de “aspirações colonialistas”. Em intervenções no Conselho de Segurança, ela associou a conduta do país a ideologias que, segundo sua análise, seriam baseadas em noções de superioridade racial e religiosa, posicionamentos que agora são revisitados por observadores internacionais e pela imprensa estrangeira, como o Wall Street Journal.
Histórico de proximidade com o regime cubano
O perfil diplomático de Rodrigues-Birkett também inclui episódios de alinhamento com figuras históricas da esquerda latino-americana. Em janeiro de 2013, enquanto exercia o cargo de ministra das Relações Exteriores da Guiana, ela apresentou formalmente uma moção de homenagem a Fidel Castro. Na ocasião, a diplomata classificou o líder cubano como “visionário, determinado e revolucionário”.
Em seu discurso de 2013, a candidata defendeu que Castro merecia reconhecimento por suas contribuições à “humanidade em geral”. Na mesma oportunidade, ela expressou votos de saúde e longevidade tanto para Fidel quanto para seu irmão, Raúl Castro, consolidando um histórico de proximidade ideológica que agora é objeto de análise no contexto de sua candidatura ao posto mais alto da diplomacia global.
Cenário da sucessão na ONU
A disputa pela secretaria-geral da ONU segue em fase de consultas. Além de Carolyn Rodrigues-Birkett, o processo conta com outros nomes de peso na diplomacia e administração internacional, como a costarriquenha Rebeca Grynspan, atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), e o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A liderança da diplomata guianense nas consultas informais coloca seu histórico sob uma lente de maior escrutínio. Enquanto o processo de sucessão avança, o debate sobre suas declarações passadas reflete a complexidade das posições exigidas para o comando da organização, que busca equilibrar interesses geopolíticos divergentes em meio a crises internacionais acentuadas.
Com informações da Revista Oeste.