A Polícia Federal obteve acesso a registros de conversas em um grupo de aplicativo de mensagens que reunia o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (Progressistas) e o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. O grupo, intitulado “Ciro Daniel Fábio Hugo”, foi criado em abril de 2024 por iniciativa de Nogueira.
Os diálogos recuperados pelos investigadores compreendem o intervalo entre 20 de agosto e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. O senador Ciro Nogueira havia configurado o chat para que o conteúdo fosse deletado automaticamente após 90 dias, mas a perícia técnica conseguiu resgatar as interações.
Interações sobre operações policiais e logística
As mensagens evidenciam uma rotina de organização de viagens e encontros presenciais entre os integrantes. Em 28 de agosto de 2025, por exemplo, Ciro Nogueira compartilhou no grupo uma notícia sobre a Operação Carbono Oculto. A ação, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal, investigava a infiltração de facções criminosas nos setores financeiro e de combustíveis.
No mesmo dia, os participantes coordenavam o uso de uma aeronave pertencente a Vorcaro para deslocamentos. O histórico de conversas detalha o planejamento de eventos sociais, incluindo um jantar de aniversário organizado por Fábio Faria e uma viagem programada para Trancoso, na Bahia. Este último compromisso, contudo, foi cancelado devido a uma sobreposição de agenda com a posse de Carlos Augusto Pires Brandão no Superior Tribunal de Justiça.
Negociações comerciais e articulações políticas
Além da logística de viagens, os registros apontam para relações comerciais e pedidos de auxílio. O ex-banqueiro teria negociado com Fábio Faria a aquisição de um projeto de usina eólica no Rio Grande do Norte, em uma transação estimada em R$ 67,5 milhões. O pagamento teria sido estruturado por meio de um imóvel em São Paulo, avaliado em R$ 50 milhões, somado a R$ 17,5 milhões em transferências bancárias.
Em relação ao presidente da Câmara, Hugo Motta, as mensagens indicam tratativas para uma sociedade na compra de um terreno em João Pessoa, na Paraíba. O material também aponta que o deputado teria solicitado apoio de Vorcaro para um projeto de lei voltado ao mercado de carbono. Além disso, Motta utilizava uma residência do ex-banqueiro em Brasília durante suas ausências na capital federal.
Investigações sobre o Banco Master
As apurações da Polícia Federal também se debruçam sobre a atuação de Ciro Nogueira na defesa de interesses do Banco Master, instituição controlada por Vorcaro, no Congresso Nacional. O inquérito investiga possíveis repasses financeiros, custeio de viagens e pagamentos de faturas de cartões de crédito.
Na noite em que Vorcaro foi preso, Fábio Faria enviou ao grupo uma reportagem sobre uma proposta do Grupo Fictor para a aquisição do Banco Master, uma tentativa de evitar a liquidação da instituição financeira. Até o momento, os citados Hugo Motta, Ciro Nogueira e Fábio Faria não se manifestaram sobre o conteúdo das conversas. A defesa de Daniel Vorcaro também não apresentou posicionamento público sobre os fatos relatados.
Com informações da Revista Oeste.